FINALMENTE a continuação, achei que demoraria menos a postar, mas aqui estamos.
Lembro de quando escrevi esse conto, uma curiosidade sobre ele é que ele foi escrito bem antes de “Eu me entrego”, depois de um tempo tive que adaptar esse para que ele se encaixasse melhor com o anterior. A ideia de que eles possuem uma continuidade é legal, apesar de poderem ser lidos individualmente.
Aqui eu quis explorar um sentimento diferente do anterior, um sentimento que já senti e que admito ainda sentir em dias estranhos, é o desconforto em sua própria forma. Se sentir desconfortável por possuir braços, pernas, uma cabeça e andar da forma que se anda, respirar e falar da forma que todos fazem, um desconforto em ser um humano, em carregar essa carcaça de carne, pele e gordura, preenchida com órgãos… pra todo lado.
Além disso, aqui, eu narro uma ideia com o qual tive contato em algum livro que li na infância, não lembro bem o nome, mas é uma ideia simples que se bem explorada pode render boas histórias: O encontro com o desconhecido. Dá pra resumir em uma pergunta básica que pode nortear qualquer conto, fica como exercício inclusive.
“O que você faria se encontrasse em uma floresta algo que você nunca viu, ouviu falar ou imaginou?”
Boa leitura!

Renascido das Areias
Abrira os olhos, estava consciente novamente, sem lembranças, trancafiado, mas onde? Sua visão era turva, bagunçada. Estava quente, seu corpo estava encolhido. Tentou mover o que seriam seus braços, porém seu corpo não era como sentia que deveria ser. Esticou-se e foi como se expandir em todas as direções. O som de algo rachando e logo se rompendo foi seguido de areia caindo sobre seu corpo, ele cavou e cavou, enlouquecidamente. Viu os primeiros raios de sol.
Ergueu-se com muita dificuldade, estava em um deserto, um vasto e imenso deserto, sua visão turva mal conseguia ver até onde se estendiam as dunas. Havia acabado de sair do que parecia ser um ovo, estava coberto de uma gosma, deveria feder, mas ele não sentia odor algum. Olhou com cuidado seu corpo, não era como ele achava que deveria ser, sua mente não estava configurada para aquilo. A parte de baixo ainda estava soterrada nas areias da duna, mas ele sentia o que seriam seis pernas. Seu corpo inteiro era coberto por uma carapaça, um exoesqueleto firme e resistente, era feio e deformado, porém leve. O que ele sentia como dois braços, na verdade, eram garras.
Uma tristeza enorme invadiu sua mente, seu coração, queria chorar e gritar, no entanto sua boca não era nada além de mandíbulas, como as de uma formiga. De seus olhos não escorriam lágrimas, sua voz era esganiçada e horrenda, produzindo nada mais que ruídos e gritos indecifráveis. Girou o tronco olhando ao redor, precisava manter a calma e tentar entender o que estava acontecendo, precisava encontrar um rosto familiar, alguém, algum lugar. Precisava entender seus sentimentos. A cabeça doía como se estivesse faltando algo em sua mente. Pior que tudo isso era o instinto, que dizia para fugir dali, correr, se esconder, gritar por ajuda. O deserto não era seu lar.
Piscou os olhos, tentou mover as pernas soterradas e foi como se o próprio deserto o ajudasse a andar na areia. Andou um pouco tentando se acostumar com as novas pernas e ignorando o desespero mental. Seu corpo era desastrado e seus movimentos eram muito rápidos, precisou de algum tempo até conseguir andar com certa precisão. Fechou os olhos por um momento, tentou se acalmar, pensar com clareza, planejar, ou quem sabe lembrar de algo. E foi de olhos fechados que uma luz veio à mente, era como um mapa. Em sua mente era como se ele soubesse por simples instintos todos os limites do deserto, sabia agora as direções que deveria tomar para sair dali, sabia também onde haviam corpos soterrados, e claro, mais de sua própria espécie.
Seguiu o seu maior desejo no momento, o de fuga, precisava deixar o deserto e só assim poderia manter a mente em silêncio e quem sabe lembrar como fora parar ali e por que aquela forma era tão estranha para ele. Se pôs a andar, o calor criava ilusões e distorcia as imagens das dunas adiante, porém não o perturbava na carapaça, não o perturbava em sua caminhada, era como se aquele fosse o clima ideal. Os passos foram ficando mais rápidos, os instintos mais claros, as dunas menores, o deserto não era seu lar, mas era seu aliado. Ele sentia.
A criatura andou sem parar e a noite chegou, depois o dia novamente, várias vezes. E foi como se o tempo não pudesse ser sentido, somente via o céu mudar de cor, estrelas se pondo, o sol nascendo, a lua surgindo e assim por diante, nem fome, nem sede lhe abateram. Sentia como se estivesse projetado para aquele tipo de situação extrema. Andou e andou, até que, do topo de uma duna ele foi capaz de ver no horizonte, o fim do deserto. O deserto terminava como um mar, banhando uma planície gramada, verde. Sua cabeça doeu ao observar o local, era como se o local fosse importante, mas ele não sabia o motivo, alguma lembrança estava ali, porém ele não conseguia acessar ela. Vento forte, tempestade de areia, gritos. Ele não conseguia lembrar.
Ao chegar na planície gramada, a criatura sentiu frio, seu instinto de fuga estava mais calmo, porém, fome e sede lhe abateram como se viessem de uma vez, acumuladas por vários dias. Quando a noite chegou seu corpo já estava acostumado com a temperatura, mas estava fraco, mal conseguia andar, cambaleou até o amanhecer. A visão que já estava se ajustando voltou a ficar turva, estava tonto, e tudo que conseguia ver adiante ainda era uma planície deserta, muita grama, poucas árvores e nenhuma estrada.
Andou por algumas horas, ainda trôpego, até que encontrou um rio, já era noite mais uma vez. Parou, bebeu um pouco da água, como um cachorro, enfiando seu rosto lá. No horizonte, a sua frente, agora havia montanhas, elas estavam ali antes? seguiu o rio até o amanhecer, então avistou um bosque, ao pé das montanhas. Arbustos e árvores de pequeno porte estavam ali, pensou que poderia encontrar frutas, se não encontrasse comeria as folhas, tinha chegado ao fim de suas energias. Ao todo, foram quase 3 dias de caminhada pela planície, até o bosque.
O bosque era amigável em todos os seus aspectos. Ao adentrar, a criatura sentiu uma brisa fresca tocar seu rosto, arbustos e flores estavam por todo o bosque, seu solo gramado e árvores rodeadas de plantas trepadeiras. Não precisou andar muito até avistar animais de pequeno porte, esquilos, pássaros e em seus últimos movimentos encontrou macieiras, cobertas de seus frutos maduros e saborosos. Conseguiu agarrar um galho com seu braço estranho e o arrancou sem muita dificuldade, comeu as frutas, as folhas e quase roeu o galho, se não fosse o cantar das aves distantes a lhe chamar a atenção.
Fechou os olhos, o belo som dos pássaros parecia lhe despertar algum sentimento, um dos quais ele não entendia e mesmo com todo o esforço do mundo não conseguia compreender. Largou-se um pouco no solo gramado, sentiu pequenas formigas caminharem sobre sua cabeça, quase adormeceu, mas a sede voltou a atormentá-lo. As energias estavam quase restauradas, resolveu, então, ir de encontro ao rio que seguira até ali. Levantou-se após algum tempo de descanso, tentou andar de novo e conseguiu, já estava quase dominando por completo o corpo estranho.
Andou por pequenas trilhas. Cruzou com plantas que não conhecia ou não lembrava. Passou por árvores. Assustou-se com ratos selvagens e javalis, mas sempre os colocava em fuga, como se ele fosse um monstro. E a julgar pela aparência, ele sabia que era.
Uma tristeza imensa já o perturbava, desde que despertara no deserto, mas naquele dia a sentiu de forma mais intensa, era como se realmente preferisse ser despedaçado a viver daquela forma, sentia acima de tudo que aquilo não era natural, não deveria ser assim, estava errado. Tudo estava errado. Tentou socar árvores, mas não tinha mãos, tentou gritar, cavar e se enterrar, tentou de tudo para se machucar, queria morrer, bateu a cabeça em galhos pontiagudos, em pedras, no chão, porém nada o feria, ninguém o escutava. Não havia paz. Até a sede ele havia esquecido, em meio a tanta melancolia.
Após muito sofrer em sua prisão sem muros, escutou com atenção o barulho de água correndo, o seguiu com cuidado até se reencontrar com o rio. Era mais estreito naquele ponto, um pequeno rio de águas cristalinas, a beira dele o que via era impressionante, como um sonho realizado, naquele momento ele descobriu a alegria. Um homem. O jovem trajava uma cota de malha, grevas e manoplas, estava ajoelhado, uma espada estava embainhada, presa na cintura. De joelhos ele tirava água do riacho, usando um balde, ao seu lado um outro balde de madeira estava cheio. A criatura precisava se aproximar, tentar comunicação.
Correu em direção ao jovem que agora estava de pé com um balde de água em cada mão. Ao ver o monstro se aproximar, o guerreiro largou os baldes e desajeitadamente sacou sua espada, sua expressão era de espanto e medo, mas não se deixou abalar pelo susto. Atacou, com um corte rápido de cima a baixo, iniciou a batalha sem avançar. A criatura recuou desviando do ataque e então saltou para trás, com suas pernas fortes, se firmou no chão e não se moveu mais.
— Não se mova! Monstro horrendo! — Esbravejou o guerreiro, sua voz era firme. Por baixo do elmo de crista azul o seu olhar intimidava e demonstrava medo ao mesmo tempo, era como se estivesse avisando que estava pronto para morrer lutando.
Os arbustos atrás do guerreiro se mexeram, e com o barulho de folhas secas sendo quebradas, outros dois homens surgiram. Trajavam vestimenta semelhante à do homem de espada em punho, os que agora surgiram sacaram suas armas e se prepararam para a batalha.
— Por que não ataca? — Perguntou um deles, o que parecia mais assustado, porém o maior dos três.
— Ele não parece hostil, nem mesmo se mexe! — Falou o que já havia atacado antes.
— É como uma cobra, não vê? Ele está esperando que um de nós baixe a guarda para dar o bote! — Disse o terceiro
— Vocês estão com redes de captura? — Um deles questionou
— Não... — Respondeu o mais alto.
— Eu quero levar ele vivo para que o comandante veja os absurdos que ainda vivem por esse bosque. — O jovem que ia levar água parecia agora mais destemido, o apoio presencial e moral dos colegas fazia toda a diferença.
A criatura entendia o que os homens falavam, entendia que eles queriam o capturar e entendia também que, se atacasse, morreria. Queria falar, mas se tentasse só iria soar como um grito de horror, e isso causaria medo e posteriormente seria atacado, balançou a cabeça em sinal negativo como se dissesse que não havia mais uma saída dali, e tentou dobrar as quatro pernas, como se estivesse se ajoelhando, “Eu me entrego”, pensou.
Um dos homens, o mais alto, o mais medroso, se adiantou, gritou e levantou a espada, a criatura fechou os olhos e sentiu uma dor gritante após ter seu rosto atingido pela lâmina, não lhe rasgou, porém, foi como um martelo poderoso batendo em sua cabeça. Foi tudo muito rápido. Bem pior que os galhos e pedras que usara mais cedo em busca da morte libertadora. Abriu os olhos e gritou de dor, até sua visão falhar e desmaiar, causando medo e horror nos que ali estavam. O jovem que o atacara estava boquiaberto, surpreso com o que conseguira fazer.
Ͽ۞Ͼ
Água no rosto, um pouco entrou em sua “boca”, acordou, tentou levantar-se, mas não conseguia, estava com as pernas acorrentadas. Olhou ao redor, com dificuldade, estava em uma jaula. Não conseguiria nem mesmo ficar de pé, se pudesse. Do lado de fora era um pouco escuro, iluminado apenas por uma lamparina em um canto, o teto era de lona e havia uma mesa com algumas cadeiras ali perto da jaula, em cima da mesa havia uma garrafa e copos, alguns pergaminhos enrolados e uma espada na bainha. Quem jogara a água em seu rosto estava em pé, em frente a jaula, era apenas um homem sem armadura, vestia trajes de couro, tinha expressão séria, pegou o balde que usara e se retirou do local, por uma abertura em diagonal com a jaula.
Após a saída do homem, entrou então dois outros, um deles logo foi reconhecido, era o jovem guerreiro que estava pegando água no riacho. O outro, trajava uma cota de talas, o metal era tingido de um tom escarlate, nas costas uma capa azulada caia quase até o chão, na cintura não havia espada, provavelmente a espada em cima da mesa era dele, tinha uma postura superior.
— Então, essa é a maldita criatura que você e seus companheiros encontraram no bosque? — O homem de capa se agachou para ver melhor, a criatura guinchou.
— Sim, meu senhor, eu estava pegando água do riacho, com baldes, quando ela se aproximou, eu e dois companheiros conseguimos a capturar com vida. — O jovem narrou os fatos brevemente. Seu superior, agachado observou a criatura com cuidado para não se aproximar demais. Suas expressões eram de nojo.
— De onde vocês acham que veio esse monstro horrendo? — O homem perguntou, se erguendo novamente e cuspindo em um canto qualquer, como um gesto de enjoo.
— Nós a verificamos quando ela apagou, suas patas inferiores, assim como seu corpo, estavam cobertas de uma camada de areia muito fina, acreditamos que ela tenha vindo do grande deserto, meu senhor. — Aquelas palavras pareciam penetrar a mente de seu superior como facas.
— Você fez bem em trazer-me este monstro. Você e seus companheiros serão bonificados pelo feito de coragem. — Ele tocava o ombro do jovem — Sente-se, deixe-me lhe contar algo.
O jovem puxou uma cadeira e se sentou. A criatura observava tudo com atenção, mas algo maior que seus instintos de sobrevivência lhe amansava a alma, era como se o próprio ambiente começasse a fazer algum sentido, como se o brilho do fogo da tocha e o som das vozes daqueles homens lhe fosse comum, como se o sotaque deles também devesse ser seu sotaque. E foi quando o homem de capa agarrou a espada na mesa, e a prendeu na cintura, que o último barulho lhe fez lembrar de uma palavra, e ela fez sentido, era mais que uma palavra, era um sentimento. Casa.
— Jovem, faz alguns meses que fui nomeado como comandante desta pequena tropa de exploração e caça, você me viu chegar e em nenhum momento, soldado algum, me questionou sobre de onde eu vinha ou por que fui promovido. Agora deixo que você saiba. — Ele pegou a garrafas na mesa e despejou vinho em dois copos — Eu fiz parte de uma tropa maior, uma que se aventurou além dos bosques, queríamos fazer história. Marchamos para além dos terraços do deserto e foi assim que fracassamos, você sabe o que existe além daquelas planícies malditas, não é? — Ele questionou, dando um gole na bebida.
— Sim, senhor. Além dos terraços fica o próprio deserto, intransponível desde... sempre. — O jovem respondeu, agarrando seu copo e bebendo do vinho, enquanto encarava a criatura na jaula.
— Isso mesmo garoto, nós conhecemos muito de Anayr, nosso continente, mas não ele por completo, nós sabemos o que os mapas nos dizem, e quem faz os mapas são tropas como as nossas. Ao Norte temos a floresta gélida, Belian, rodeada de pequenas vilas e um reino gelado, Glésias. Nosso aliado. — Ele agora abrira um dos pergaminhos na mesa e mostrava com o dedo as localizações no mapa. — Aqui temos Venair, a floresta sagrada. Mais adiante, por ali, temos, na floresta luminosa, Lúria, a cidade comercial que serve como limite entre o nosso lado de Anayr e o lado dos Lumárens, os mais antigos nesse mundo. E veja, aqui, essa é Lumária, a cidade natal dos Lumárens, filhos da lua. Não conhecemos muito do lado deles do continente, mas sabemos de alguns pequenos reinos e vilas por lá também. — Ele prosseguia, apontando com o dedo os locais no mapa — E aqui, filho, temos Lyane, perto de onde estamos. Nosso lar. Sabe-se que em algum lugar dos mares fica Ilianor, a cidade capital dos Numari, mas essa não nos importa por agora.
Não eram todos os locais conhecidos de Anayr, mas o jovem estava entendendo.
— Isso tudo é parte do Norte de Anayr. — O garoto complementou, observando seu superior beber mais um pouco do vinho. — No Sul, indo de navio, encontra-se alguns outros reinos, como Garcet e Núzen. É preciso ir de navio porque o grande deserto corta nosso continente ao meio.
— Sim, descendo o mapa, partindo daqui em direção Sul, ficam os terraços do deserto que, como todos sabem, são planícies que antecedem o grande deserto, o maldito deserto. Ninguém conhece esse lugar, poucas expedições se arriscaram a entrar nele. — Fez uma pausa, respirou fundo e voltou a falar. — A minha foi uma das que chegou bem perto de suas areias, mas fomos engolidos por uma tempestade sem fim e eu fui o único sobrevivente! — Ele socou a mesa devagar. — Foi assim que ganhei o posto de comandante da vigésima sétima tropa de exploração e caça de Lyane.
— Isso é impressionante senhor, mas, com todo respeito, onde essa criatura se encaixaria em sua história? — O jovem questionou, após ouvir tudo.
— Eu nunca soube o que aconteceu com o resto do meu esquadrão naquela expedição perdida, nunca mais os encontrei, e se agora você me diz que essa criatura pode ter vindo do deserto, então, posso afirmar que foi contra isso que meus companheiros lutaram? — Ao perguntar isso ele voltou o olhar frio e zangado para a criatura na jaula.
Aquele olhar, aquela voz, aquela história, de repente as coisas ficavam mais claras, algumas lembranças voltaram a mente, e a criatura precisava falar algo, guinchou e guinchou, nada saia, se debateu tentando se soltar, precisava falar com o homem de capa, mas como? Como falaria sobre o deserto, sobre as criaturas? Sobre como ele funcionava, sobre como as areias ajudavam os monstros que lá viviam. Guinchou duas outras vezes até que a jaula recebeu um chute do homem forte, ele jogou vinho na cara do monstro e gritou:
— Eu vou acabar com sua raça desgraçada!
O gosto do vinho foi crucial, ele recobrou toda a sua memória em um piscar de olhos.
— Vaaaaliiiirrrrr — Ele conseguiu pronunciar, com uma voz esganiçada e horrenda.
O homem de capa largou o copo e caiu de joelhos diante da jaula, seus olhos arregalados.
— Por que pronunciou esse nome?!— Ele gritou, socando as barras de metal. O jovem que observara tudo, tocou o ombro de seu superior em um gesto de lamentação e apoio. — Ele falou o nome de um companheiro da expedição! Você ouviu?
O jovem soltou o ombro dele e manteve a calma.
— Sim, senhor. Eu ouvi…
— Precisamos nos comunicar com esse monstro! Agora!
Admito que admiro profundamente a minha escrita nesse conto, ela é bem mais madura, e me surpreende que eu não tenha conseguido o mesmo nível em “Eu me Entrego”, que escrevi alguns dias depois desse. É engraçado, o começo da vida adulta é cheio de momentos de inspiração e coerência, onde por um segundo as coisas fazem sentido e você consegue realizar feitos incríveis, feitos que se você tenta repetir, ficam estranhos…
Eu tentei repetir esse nível de escrita em outros 30 contos de Anayr, alguns saíram bons, outros nem tanto, o que acontece é que ideias boas vem e vão, mas ideias bem contadas são bem mais raras. A arte de contar é bem mais complexa, e precisa estar alinhada com a arte de escrever, se não, tudo o que você tem são amontoados de frases e parágrafos sem sentido ou sem graça.
Em breve devo postar a última parte, a mais longa. E espero que gostem.
Até mais, exploradores!
Publicada originalmente na Prosa & Pixel, no Substack. Ver no Substack · Assinar a Prosa & Pixel · Todas as edições